Alimentação - vegetarianismo

“ Quanto mais o homem simplifica a sua alimentação e se afasta do regime carnívoro,
mas sábia é a sua mente”
George Bernard Shaw


Vegetarianismo

O termo “vegetariano” não provem de “vegetal”,
mas sim do termo latino vegetare, que significa
“ dar vida, animar” . Quando os romanos usavam o termo homovegetos, eles se referiam a uma pessoa vigorosa, dinâmica.

O que é Vegetarianismo
No vegetarianismo, entende-se que o consumo
de alimentos de origem animal é uma prática desnecessária, que prejudica a saúde humana,
o meio ambiente, os animais e a sociedade.

Ovo-lacto-vegetarianos: não consomem qualquer tipo de carne, e consomem laticínios e ovos.
Lacto-vegetarianos: não consomem carne nem ovos, e consomem leite e derivados
Vegans : não consomem qualquer produto de
origem animal (carne,leite, ovos, mel) e também
não utilizam produtos que tragam sofrimento animal embutido: couro, lã, seda e cosméticos que contenham ingredientes animais ou que tenham
sido testados em animais.

Por que ser vegetariano(a)?
Há vários motivos: saúde, ética, compaixão pelos animais, fome mundial, preservação do meio ambiente.


21 Motivos para ser vegetariano (clique aqui)

O comportamento do consumidor vegetariano (clique aqui)

Saúde

Uma dieta vegetariana é saudável porque:é
. Rica em fibras, vitaminas e minerais.
. Pobre em gorduras saturadas, colesterol e contaminantes químicos
(hormônios, antibióticos, pesticidas).
. Moderada em proteínas e calorias.
. Saborosa, trazendo pratos da culinária mediterrânea, indiana, japonesa, etc.


Variada, incluindo hortaliças, legumes, frutas, raízes, cereais integrais (arroz, trigo, centeio, cevadinha), leguminosas (feijão, soja, ervilha,lentilha, grão-de-bico) e oleaginosas (castanhas, nozes e sementes).
. Nutritiva, fornecendo todos os nutrientes necessários ao bom funcionamento do organismo.
. Preventiva, uma dieta vegetariana reduz o risco
de doenças crônicas e degenerativas,
como cardiopatias, câncer, diabetes. Obesidade, osteoporose, doenças da vesícula biliar, artrite, asma, pedras nos rins e hipertensão. doenças circulatórias (infarto, derrame, pressão alta)
entre outras.Há um grande número de trabalhos científicos que mostram as propriedades preventivas das dietas vegetarianas.
Mantém o colesterol em níveis adequados. Uma dieta livre de alimentos de origem animal é capaz de controlar a pressão nas artérias e ainda manter níveis adequados de colesterol.

Um estudo do Instituto do Coração (InCor/USP) de 2002 comparou, entre outros fatores de risco para doenças do coração, a pressão arterial e os níveis
de colesterol de 136 pessoas, entre vegetarianos e comedores de carne. Os vegetarianos não apresentaram nenhum caso de pressão alta e
apenas 22% das pessoas tinham colesterol elevado.
No grupo que consumia carne, 22% das pessoas apresentaram pressão alta e 41% tinham o
colesterol acima do limite máximo recomendado.

Orientação
Há ainda muitas publicações e alguns profissionais que podem orientar uma transição saudável
para o vegetarianismo.
A informação e orientação são muito importantes para planejar bem a dieta!
Veja indicações no final do texto.

Conheça os vegetarianos mais famosos

Ética

“ Se os matadouros tivessem paredes de vidro, todos seriam vegetarianos. Nós nos sentimos melhor com nós mesmos e melhores com os animais, sabendo que não estamos contribuindo para o sofrimento deles”.
Paul e Linda McCartney

Compaixão pelos animais
Não nos enganemos: todo animal é capaz de
sentir e não há nenhuma justificativa moral para desprezar sua vida, negligenciar seu sofrimento, banalizar o ato de sua morte e mutilar seu cadáver para com ele fazer delicatesses carnívoras,

Fazer sofrer e matar seres vivos sensíveis por razões banais é uma daquelas injustiças elementares a que somos inclinados

 a condenar. No entanto, falta ainda a convicção de que matar animais para alimentação é uma razão banal e que a cadeia animal não é indispensável.

Do ponto de vista ético, matar um animal é
um ato incompatível com as aspirações
intelectuais e espirituais da nossa espécie.
Se matar um animal dentro de um contexto de defesa ainda é aceitável, abate-lo para lhes
retirar as proteínas, as gorduras, os conhecimentos científicos, e os prazeres gustativos não é aceitável, tanto mais que
estas questões são banais em comparação
com o sofrimento e a perda de vida de um
animal, ser sensível e consciente.

 

Animais usados como produtos – os bastidores
Os animais criados para consumo, são confinados, manipulados especificamente para o aumento de produção, através de genética, medicamentos e técnicas de manejo. Devido às considerações econômicas, eles não recebem analgésicos.

O gado é marcado várias vezes durante sua vida (causando queimaduras de 3º grau), chifres são removidos , castrações pelo corte dos testículos com facas ou forçando sua queda amarrando-os para interromper o fluxo sanguíneo, mais uma vez, por razões econômicas tudo é feito sem anestesia.

Os modernos antibióticos e vacinas são a razão pela qual os animais sobrevivem às condições intensivas até atingirem o peso do mercado ou até que se tornem “ gastos”, ( termo utilizado para vacas leiteiras ou galinhas poedeiras cuja produção cai) e serem mandados para o matadouro.
Mesmo quando são criados soltos os animais, muitas vezes passam fome, vivem cheios de parasitas e apanham copiosamente.

Galinhas
As galinhas vivem espremidas em gaiolas do tamanho delas., as luzes ficam acessas até 18 horas por dia – assim elas não dormem e comem mais ( isso acontece principalmente com as que produzem ovos), seus bicos são cortados sem anestesia.

O corte dos tecidos delicados com a faca causa dor que persiste por semanas ou até meses. Algumas aves não conseguem comer após o corte dos bicos e morrem de fome. Esse procedimento é feito para que elas não matem umas as outras e para evitar que elas escolham a parte da ração de sua preferência - caso contrário, ciscariam apenas os grãos de seu agrado e deixariam de lado os alimentos que servem para que engordem mais rapidamente.

Porcos
Porcos não têm espaço nem para se deitar confortavelmente. São confinados do nascimento ao abate. As gestantes são forçadas a parir atadas a uma fivela apertada na baia.

Pela sua natureza, os porcos são curiosos e normalmente passariam metade do tempo cavando a terra. A frustração do confinamento faz com que lutem e mordam suas caudas. A resposta da indústria é o corte das caudas e a castração dos porquinhos para torná-los menos agressivos
sem o uso de anestesia.

Ser impedido de realizar os instintos mais básicos é motivo de enorme sofrimento. Mesmo os animais criados em gaiolas desde que nasceram sentem necessidade de se mover, esticar as asas
ou membros e fazer exercícios.

Rebanhos ou bandos de animais ficam
estressados quando são criados isolados ou quando são confinados em grupos muito numerosos, pois têm dificuldade para reconhecerem os outros membros. Além disso, todo o animal confinado sofre de intenso aborrecimento, o que pode provocar um comportamento autodestrutivo.

Transporte
Quando são levados aos matadouros os animais são prensados ao máximo possível nos caminhões para minimizar os custos. Eles vivem nos excrementos uns dos outros e são expostos a condições severas de temperaturas em caminhões abertos, ficam sem água ou alimento por longos períodos de tempo. Em vista disso,
muitos morrem a caminho.

Abate - boi
Para se abater um boi de maneira “humanitária”, primeiro se dá um disparo na testa com uma pistola de ar comprimido.

O tiro deixa o animal desacordado por alguns minutos- ele então é erguido por uma argola na pata traseira e sua garganta é cortada.

Os animais são sangrados até a morte ainda conscientes. O abate a marretada é proibido, o que não quer dizer que não aconteça, já que
50% dos abates são clandestinos e, portanto,
sem fiscalização. Como não é fácil acertar o boi com o primeiro golpe, muitas vezes são necessários dezenas para desacorda-lo.

Abate - galinhas
As galinhas são despejadas como lixo dos caminhões que as traze; são colocadas em ganchos que fazem parte do sistema de abate automático, sofrem uma descarga elétrica que deveria causar a inconsciência , mas essa corrente é reduzida causando somente dor
(níveis maiores de corrente endurecem a carne).

Vão para o próximo estágio com plena consciência, passam por máquina que vai degolando o pescoço, são imersas em um banho escaldante, depois vão para a área onde serão depenadas.

Fontes:
“ Vegetarianismo por um mundo melhor”, nutriVeg, Nutrição Vegetariana www.nutriveg.com.br
“ Vegetarianismo, elementos para uma conversa sobre” – Marly Winckler – Rio Quinze Editora.
“ Alimentação para um Novo Mundo”, Marcio Bontempo, Editora Record.
Revista Super Interessante abril de 2002.
“ A Questão Espiritual dos Animais”, Irvênia Prada, Editora FE.
“ O Fanatismo Carnívoro e o Declínio do Ocidente”, Alliance Vegetarienne, nº71, printemps 2003.
www.veganoutreach.org/whyvegan/por

 

 

VOZES VEGETARIANAS: UM COMENTÁRIO
TOM REGAN

Não faz muito tempo, a Reuters (agência de notícias) divulgou um texto com o
seguinte título: .Estudo descobre que carne contaminada e resistente
a remédios é comum.
As bactérias perigosas na carne bovina e nas aves., começa a reportagem, .vêm ficando mais resistentes a antibióticos devido à prática muito controvertida de ministrar estes medicamentos ao gado e a outros animais de criação, de acordo com pesquisa publicada em [número recente do] New England Journal of Medicine.
A prática de ministrar antibióticos a animais saudáveis para promover o crescimento e os lucros torna imunes a medicamentos a salmonela e organismos semelhantes, que podem às vezes provocar doenças graves, e deveria ser abandonada, segundo o editorial que acompanha o artigo.
Ou (para explicar com mais simplicidade a mesma questão): Quem for comer tome cuidado! Essa carne no seu prato pode matá-lo.
Para quem tem interesse, ainda que modesto, pela relação entre saúde e alimento, isso não é surpresa.
Há muito tempo já se sabe que uma dieta rica em gordura e colesterol (em outras palavras, baseada em alimentos de origem animal) não é boa para nós.
Há muito tempo já se sabe que a dieta baseada em alimentos de origem animal está ligada às três maiores causas de mortalidade humana: câncer, problemas cardíacos e acidentes vasculares.
(Aliás, a quarta maior causa são as reações fatais a medicamentos receitados, que matam mais de 100.000 pessoas por ano somente nos Estados Unidos).
A boa notícia é que cada vez mais pessoas aprendem por que adotar uma dieta baseada em alimentos animais é como brincar com fósforos num posto de gasolina.
O livro e o filme de Morgan Spurlock, Super Size Me [A dieta do palhaço], com todo o seu sucesso, podem ter-se concentrado no McDonald.s, mas a mensagem central do filme era sobre O QUE comemos, não apenas sobre ONDE comemos.
Devido ao sucesso do livro e do filme, somado às iniciativas de muitos outros, como o livro de Erik Schlossher Fast Food Nation (e o filme prestes a ser lançado), dezenas de milhões de pessoas estão recebendo a mensagem: a dieta baseada em alimentos animais pode deixar as pessoas doentes a maior parte do tempo, assim como às vezes pode matar.
Talvez vocês achem que a maioria das pessoas já sabe disso. A verdade está por aí, para todos verem, há muitíssimo tempo. Por que demorou tanto para que a verdade chegasse à cultura de massas? Esta é uma pergunta interessante, que não posso investigar por completo nesta ocasião.

 


 

O Mito da Proteína

Fonte: Dr George Guimarães, nutricionista*

Mas de onde você tira suas proteínas? Esta pergunta parece ser, para aquele que a faz, o único argumento necessário para enfrentar o vegetarianismo. As pessoas em nossa sociedade parecem ser obcecadas por proteína, mesmo aquelas que sequer sabem definir o significado da palavra. No entanto, a proteína é um dos nutrientes mais fáceis de serem obtidos.

Adotando-se hábitos alimentares inadequados, uma pessoa pode desenvolver uma deficiência de vitamina A, vitamina C, cálcio, mas é quase impossível desenvolver uma deficiência protéica em uma dieta caloricamente adequada. Para que possamos melhor compreender como isto acontece, devemos calcular nossas necessidades diárias de nutrientes como porcentagem de calorias.

Cada grama de proteína fornece quatro calorias. Portanto, se uma batata que pesa cem gramas fornece 75 calorias e 1,8 grama de proteína, podemos dizer que ela fornece 7,2 (1,8 vezes 4) calorias na forma de proteína, ou 9,6% (7,2 dividido por 75 vezes 100) das calorias totais na forma de proteína. Aplicando-se o mesmo cálculo ao brócolis, o trigo, o arroz, etc, obtemos os resultados vistos na tabela ao lado.

O NRC (National Research Council) é um órgão do governo americano responsável pela elaboração de guias alimentares e determinação das necessidades nutricionais do indivíduo de acordo com sua idade e estado fisiológico (RDA). As informações por ele produzidas são utilizadas em vários países de todo o mundo, inclusive no Brasil.

Segundo o NRC, um adulto do sexo masculino requer uma ingestão diária de 2.700 calorias, onde devem se incluir 56 gramas de proteína. Estes 56 gramas de proteína representam 224 calorias das 2.700 calorias totais, ou seja, cerca de 8,3%. Para adultos do sexo feminino, a recomendação é de 2.000 calorias, onde devem ser inclusos 44 gramas de proteína, ou cerca de 8,8%. Temos então que a recomendação adotada mundialmente é de que se obtenha de 8 a 9% do total de calorias do dia na forma de proteína.

A tabela abaixo mostra claramente que os alimentos de origem vegetal fornecem muito mais do que 8% de suas calorias na forma de proteína, exceto as frutas. Se um indivíduo ingerir calorias suficientes a partir destes alimentos, ou seja, se ele ingerir, por exemplo, 2.700 calorias comendo apenas (exemplo meramente didático) batatas, brócolis e trigo durante o dia, suas necessidades protéicas serão supridas mais do que satisfatoriamente, a não ser que ele adote uma dieta baseada exclusivamente em frutas.

Deficiências Reais

Existem possibilidades de um indivíduo desenvolver uma deficiência protéica, mas estes são casos muito específicos. Uma maneira é não ingerir uma quantidade suficiente de alimentos, sejam estes de origem vegetal ou animal. A imagem de crianças desnutridas que vemos na televisão ou nas ruas é um exemplo típico de desnutrição protéico-calórica. Mas estas crianças (ou adultos) não apresentam carências exclusivamente protéicas, elas também sofrem de carências de vitaminas de A a Z, calorias, ferro, cálcio e etc. A proteína não será um problema desde que se ingira uma quantidade suficiente de alimentos e, caso não hajam alimentos em quantidade suficiente, a proteína não será o único nutriente com que se preocupar.

Outra maneira de desenvolver uma deficiência protéica é ingerir grandes quantidades de álcool e açúcar. Ambos não contêm proteínas e são grandes fontes de calorias. Mas, novamente, estes dois “alimentos” também são pobres em todos os nutrientes (vitaminas, minerais, lipídios, carboidratos complexos) e uma deficiência protéica não será a única a se desenvolver.

Devido à suficiência - ou abundância - de proteínas nos produtos de origem vegetal, o consumo de produtos de origem animal (carnes, ovos e derivados do leite) é totalmente desnecessário para suprir nossas necessidades protéicas. O único produto de origem animal necessário à nutrição humana é o leite e este deve ser, obviamente, humano. Após o período de amamentação, como o próprio nome sugere, o leite deixa de ser necessário ao homem ou a qualquer outro mamífero. O leite materno, que vem fornecendo proteína aos humanos em fase de amamentação por milênios, fornece apenas 6% de suas calorias na forma de proteína, enquanto o leite de vaca fornece, exageradamente, 22% de suas calorias na forma de proteína.

Conteúdo Protéico de Alguns Alimentos de Origem Vegetal

ALIMENTO
CALORIAS/100G
% CALORIAS DERIVADAS
DE PROTEÍNAS
Brócolis 32 45
Broto de Alfafa 29 43
Tofú 98 34
Lentilha 340 29
Couve-Flor 41 27
Pepino 15 24
Grão-de-Bico 360 23
Feijão 337 22
Trigo 330 17
Milho 96 15
Centeio 334 14
Amêndoas 598 12
Aveia 348 11
Batata 75 10
Cenoura 42 10
Arroz Integral 358 9
Banana 85 5
Maçã 56 2
RDA Adulto 2000 - 2700 /dia dia 8 - 9

 

A Superioridade Dos Vegetais

Não somente é a proteína vegetal suficiente, mas ela é também superior à proteína animal. A carne, por exemplo, seja ela qual for, é composta por proteína, gordura e algumas vitaminas e minerais. Ela não contém um grama sequer de carboidratos ou fibras. A busca por uma quantidade exagerada de proteína leva à adoção de cardápios que são também excessivamente ricos em gorduras e extremamente pobres em fibras e carboidratos complexos. Uma dieta rica em proteínas está diretamente ligada à perda de massa óssea (osteoporose) e o consumo excessivo de gorduras é o principal fator na ocorrência da obesidade e das doenças cardiovasculares. Ao mesmo tempo, uma dieta pobre em fibras e carboidratos complexos implica na ocorrência dos mais variados problemas de saúde.

Os produtos animais são realmente mais ricos em proteína do que os produtos vegetais e isto, contrariamente à crença popular, não traz benefícios à saúde, mas sim prejuízos.

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Se você está pensando em se tornar vegetariano, consulte um profissional especializado para orientar sua mudança alimentar. O Dr George Guimarães é nutricionista e especializado em dietas vegetarianas, dedicando-se à pesquisa, aconselhamento e consultoria em alimentação vegetariana. Ele atende em seu consultório na cidade de São Paulo, onde dirige a empresa nutriVeg Consultoria em Nutrição Vegetariana, que presta serviços de consultoria a empresas da área. Na mesma cidade, dirige também o VEGETHUS Restaurante Vegetariano e coordena as atividades da Sociedade Vegetariana Brasileira.

Contatos: (11) 5585-3475 / www.nutriveg.com.br / nutriveg@terra.com.br

 


alimentação Vegetariana

A alimentação vegetariana está a tornar-se, rapidamente, muito popular. A alimentação desse tipo pode ajudar a reduzir o risco de contrair muitas doenças comuns hoje em dia, promove a perda de peso e beneficia o meio ambiente. Contudo, ainda proliferam os mitos e os preconceitos. Se está a pensar em fazer uma mudança na sua alimentação, é importante que obtenha informações seguras. Vejamos algumas das perguntas que se formulam com mais frequência em relação à alimentação vegetariana.

Existem diferentes tipos de alimentação vegetariana?
Sim, na alimentação vegetariana, existem diferentes variações. Os vegetarianos estritos não consomem nenhum produto de origem animal. A sua alimentação é constituída, fundamentalmente, por frutas, vegetais, legumes, grãos, sementes e oleaginosas (amêndoas, nozes, amendoim). Os lactovegetarianos juntam, à sua alimentação, os produtos lácteos. Por sua vez, os ovolactovegetarianos incluem ovos e produtos derivados do leite.

As pessoas que consomem carne animal (carnes vermelhas, peixe, aves) não são consideradas vegetarianas; no entanto, à medida que os benefícios saudáveis da alimentação vegetariana se foram dando a conhecer, muitas pessoas reduziram ou eliminaram os produtos animais da sua mesa. Por exemplo, muitas comem peixe e aves, mas não carnes vermelhas; outras, só comem carne em pequenas quantidades, poucas vezes por semana. Esta classe de alimentação é considerada semivegetariana. Não obstante, devemos assinalar que esta última classe de alimentação não proporciona todos os benefícios de uma alimentação vegetariana.

Quais são os benefícios saudáveis de uma alimentação vegetariana?
A alimentação vegetariana contém níveis mais baixos de gorduras saturadas, colesterol e proteínas animais. Por outro lado, é rica em folato (um subproduto do ácido fólico), vitaminas antioxidantes como a C e a E, caroteno e fitoquímicos. Os vegetarianos têm, sobretudo, probabilidades muito menores de contrair doenças cardíacas, obesidade, tensão alta, diabetes, osteoporose e algumas formas de cancro (particularmente cancro de pulmão e cólon). A alimentação vegetariana tem sido usada, com êxito, para reverter graves doenças cardíacas.

É possível obter proteínas suficientes numa alimentação vegetariana?
Absolutamente. É realmente difícil sofrer de uma deficiência proteica, a menos que se coma muito pouco. Se se tiver em conta os alimentos não refinados, todos eles contêm proporções significativas de proteínas. As batatas têm 11% de proteínas, as laranjas 8%, os grãos 26% e o tofu 34%; na realidade, as crianças duplicam o seu peso corporal em apenas seis meses com uma alimentação que contém apenas 5% de proteínas (o leite materno contém só 5% de proteínas).

De que quantidade de proteínas necessita o corpo?
De acordo com a Organização Mundial de Saúde, a Quantidade Diária Recomendada de proteínas é de 0,8 g por cada quilo de peso corporal (os atletas chegam a necessitar de 1 a 1,5 g). De todos os modos, é uma quantidade facilmente obtida de uma alimentação vegetariana.
O excesso de proteínas pode causar uma série de problemas, incluindo perda óssea de minerais, doenças renais e desidratação. O corpo só pode utilizar uma quantidade determinada de proteínas; o excesso decompõe-se por meio da oxidação, fazendo que os rins trabalhem até ao limite; ou é depositado como gordura corporal. Nenhuma destas opções é saudável.

Qual é a diferença entre as proteínas completas e incompletas?
As proteínas animais contêm os nove aminoácidos essenciais; por esta razão, são chamadas proteínas “completas”. Estes nove aminoácidos podem ser encontrados nas proteínas vegetais, mas nenhuma proteína vegetal os contém a todos juntos. Portanto, as proteínas vegetais são denominadas “incompletas”.
Antes, acreditava-se que os vegetarianos deviam combinar cuidadosamente as fontes de proteínas vegetais para poderem obter os nove aminoácidos essenciais; contudo, os estudos científicos demonstraram que o organismo humano pode armazenar os aminoácidos essenciais e combiná-los quando seja necessário. Assim, se se combinam nozes, arroz, manteiga de amendoim e cereais, obtém-se uma proteína completa, mas não é necessário combiná-los conscientemente assim em cada refeição. Se se tiver uma alimentação variada e adequada de calorias, a combinação de proteínas não é assunto de preocupação.

Porque é que as pessoas se tornam vegetarianas?
Existe uma série de razões. Muitas pessoas mudam a sua alimentação para emagrecerem e ficarem saudáveis. Outras consideram que o corpo é o templo do Espírito Santo, que a saúde física é o sustento necessário para a saúde espiritual e, portanto, optam por uma alimentação que lhes permita manter-se saudáveis. Outras estão preocupadas com o meio ambiente e a fome mundial. Para muitos vegetarianos, a razão para adoptar uma alimentação com essas características está fundamentada numa combinação dos argumentos apresentados.

Como é que o vegetarianismo afecta o meio ambiente?
Por todo o mundo, a vegetação está a ser destruída para poder sustentar os hábitos carnívoros das nações “desenvolvidas”. Entre 1960 e 1985, cerca de 40% das florestas da América Central foram destruídas, com o fim de criar campos de pastoreio para o gado, que logo se converteria em bifes e hambúrgueres. Mais de duzentos mil hectares de terras de cultivo são dedicados, anualmente, a pasto. Uma grande quantidade de excrementos de animais (que excede quase vinte vezes a quantidade de excrementos humanos) vai parar aos lagos e fontes de água.

Sempre se pode pedir feijão guisado, arroz, tacos e tortilhas num restaurante mexicano; os restaurantes chineses oferecem toda a classe de pratos com vegetais, arroz e tofu. Nos restaurantes italianos consegue--se toda a espécie de massas: espaguete, ravioles, lasanha recheada com verdura e sopas. ...

O que é que o vegetarianismo faz pela fome mundial?
Criar animais para o consumo é uma forma extremamente ineficiente de procurar alimentar uma crescente população mundial. Só o gado dos Estados Unidos consome grãos e soja que chegariam para alimentar cinco vezes a população desse mesmo país. Meio hectar de pasto produz uma média de 75 kg de bifes; esse mesmo terreno poderia produzir mais de 9000 kg de batatas. Se os norte-americanos reduzissem o seu consumo de carne em apenas uns 10%, poder-se-ia libertar, anualmente, mais de 12 milhões de toneladas de grãos para consumo humano. Esta quantidade poderia ser suficiente para alimentar 60 milhões de pessoas que morrem de fome anualmente.

O que é que os vegetarianos comem?
Não se perdem as melhores comidas?

Os vegetarianos têm uma grande quantidade de escolhas para a sua alimentação. Muitas das suas refeições são realizadas com pequenas variações das suas antigas comidas favoritas.

As dietas vegetarianas são sempre saudáveis?
Nem sempre. Se se substituir a carne por gorduras saturadas, queijos e óleo, isto não ajuda muito. É importante recordar que os gelados, as batatas fritas e as tortas de chocolate não contêm carne; é possível ser vegetariano e ainda consumir grandes quantidades de calorias e gorduras saturadas. Vegetariana ou não, uma alimentação saudável tem uma baixa percentagem de gorduras saturadas e colesterol, e está centrada nas frutas, nos vegetais, nos grãos e nas proteínas vegetais. Eliminar a carne não converte, automaticamente, uma alimentação em algo saudável.

É difícil comer num restaurante quando se é vegetariano?
Actualmente, é surpreendentemente fácil. Sempre se pode pedir feijão guisado, arroz, tacos e tortilhas num restaurante mexicano; os restaurantes chineses oferecem toda a classe de pratos com vegetais, arroz e tofu. Nos restaurantes italianos consegue-se toda a espécie de massas: espaguete, ravioles, lasanha recheada com verdura e sopas. Mesmo nos centros comerciais se pode encontrar uma grande variedade de saladas e tartes de vegetais; inclusivamente, nas casas de comida rápida, há ofertas especiais para vegetarianos.

A alimentação vegetariana é saudável para as crianças e adolescentes?
De acordo com a Associação Americana de Nutrição, a alimentação vegetariana satisfaz todos os requisitos nutricionais das crianças e adolescentes, e promove o crescimento normal. Nessa idade, dever--se-ia reforçar a dieta com alimentos que contenham uma boa quantidade de cálcio, ferro e zinco. Além disso, há que ter em conta que as crianças necessitam frequentemente de aperitivos e merenda, pelo que deveria proporcionar-se alguns alimentos semi-refinados e com certa percentagem de gorduras não saturadas, que podem satisfazer as suas necessidades de energia.

Os vegetarianos são débeis e frágeis?
Não; isso é um mito. O ex-campeão de culturismo, Bill Pearl, é vegetariano. O desportista olímpico, medalha de ouro e seis vezes Ironman (a competição física mais extrema do planeta), Edwin Moses, e o campeão mundial de Triatlo, David Scott, também são vegetarianos.

Como se faz a transição para uma alimentação vegetariana?
Isso depende de cada indivíduo. Algumas pessoas decidem, simplesmente, fazê-lo e nunca voltam atrás; outras fazem mudanças graduais na sua alimentação. Algumas começam tendo uma ou as duas refeições principais do dia sem carne; outras dedicam dois dias por semana à alimentação vegetariana, ou só comem carne um dia por semana. Outras, ainda, começam por eliminar as carnes vermelhas, e depois avançam para o peixe e as aves.

A Associação Dietética Americana afirma que uma
alimentação vegetariana apropriada e bem planificada é saudável, adequada nutricionalmente e fornece importantes benefícios na prevenção e tratamento de diversas doenças.

Que acontece se vivo numa família que consome carne?
Isso não é tão terrível como parece. É possível que os “carnívoros” e os vegetarianos convivam pacificamente na mesma mesa. Muitos pratos são uma combinação de vegetais, grãos e carne. A ideia é servi-los separados ou juntar a carne no fim.

Em que afecta a alimentação vegetariana quando se viaja, ou no aspecto social?
A maioria das linhas aéreas têm previsto um menu vegetariano. Em eventos sociais como casamentos ou festas, consegue-se mencionando as nossas preferências alimentares a quem fez o convite. Para as reuniões de negócios ou familiares em restaurantes, basta fazer uma chamada telefónica para averiguar qual é o menu e pedir algo adequado. Se for convidado para jantar, não tenha receio de dizer ao seu anfitrião que é vegetariano.

Os vegetarianos necessitam de suplementos e vitaminas especiais?
Na maioria dos casos, não. Uma alimentação vegetariana bem equilibrada, que inclua uma variedade de alimentos, reúne, normalmente, os requisitos nutricionais. Uma possível excepção seria a vitamina B12, que se encontra nos produtos animais. Os vegetarianos que não consomem produtos lácteos também devem prestar atenção, de forma a obterem uma quantidade de cálcio suficiente.

Quais são alguns dos vegetarianos mais famosos?
Só para mencionar alguns: Leonardo Da Vinci, Charles Darwin, Sócrates, Platão, Isaac Newton, Thomas A. Edison, Mark Twain, Henry David Thoreau, etc.

Qual é a opinião dos especialistas sobre a alimentação vegetariana?
A Associação Dietética Americana afirma que uma alimentação vegetariana apropriada e bem planificada é saudável, adequada nutricionalmente e fornece importantes benefícios na prevenção e tratamento de diversas doenças.

Fonte de pesquisa.: Revista.: Saúde & Lar (Edição de Janeiro de 2005) http://www.saudelar.com

 


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