Em nome da vida
por Chara

Em um local repleto de árvores,verdadeiro oásis em meio a um grande centro urbano, deparei com vários caminhões equipados com guindastes. Enquanto me perguntava que operação seria aquela, ouvi o estrondo do primeiro eucalipto vindo ao chão, apesar de amortecido pelo moderno equipamento de poda. A operação prosseguiu. Vários eucaliptos iam sendo cortados pela metade do tronco. Ver aquilo doía-me
todo o ser.
Sem saber como proceder, aquietei-me. Uni-me então em silêncio ao reino vegetal, àquelas árvores que tinham prestado tão inestimável serviço, aos devas que fizeram seu trabalho tão magnificamente -eram árvores gigantescas -e orei, aberta aperceber se havia ainda algo a fazer. Senti de imediato que precisaria agir em direção ao bem, nem que fosse apenas para conscientizar aqueles trabalhadores sobre o que estavam de fato fazendo.
Fui até eles e iniciamos um diálogo. Tinham explicações para tudo. Diziam estar zelando pela segurança dos pedestres, pois "aqueles eucaliptos podiam desabar a qualquer momento".
Prossegui conversando, respeitando o seu parecer, coligada com o que de mais positivo pudessem ter dentro de si. De repente, um estado de grande concentração se fez presente em mim. A conversa, então, começou a mudar de rumo. Falamos sobre a beleza das árvores, do seu valor no equilíbrio da cidade, do clima... E em dado momento percebi que os caminhões e seus guindastes tinham parado.
Algo me disse que não deveria formar juízo, criticar ou mesmo falar sobre o que já havia acontecido ali, mas que deveria tentar evitar o que ainda poderia ocorrer: o corte .dos demais . eucaliptos. Tentei mostrar que as árvores que ainda estavam de pé exerciam papel importantíssimo e o quanto o local iria ficar feio se a poda prosseguisse. Ficamos mais algum tempo juntos e, assim, os largos troncos dos eucaliptos restantes permaneceram intactos. A operação simplesmente não continuou.
Esse acontecimento trouxe grande alegria interna não só a mim, mas sei que a eles também. Os eucaliptos deram-nos uma lição. Não importa o que foi feito um minuto atrás e, por pior que tenha sido, a ninguém devemos julgar. O que importa mesmo é o que ainda podemos fazer ou deixar de fazer. Olhando nessa direção e deixando tudo o que passou entregue aos Irmãos Maiores é que temos verdadeira condição de ajudar.