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POTIRA
Meu nome é Potira: uma cachorra mestiça de
cor preta e olhos escuros.
Muito cedo fui arrancada das tetinhas de minha mãezinha
e lançada impiedosamente, sobre o muro de uma casa
sem moradores. Era noite, fim de maio, fazia frio, chovia
bastante e, com dificuldades de enxergar e andar pela queda
brusca a que fui lançada, abriguei-me num baldinho
que encontrei caído no chão.
No
dia seguinte, logo cedo, um Sr. abriu o portão e
entrou. Parecia muito preocupado, logo percebeu meus gritos
ardentes por socorro envoltos a tremores de fraqueza, frio
e fome, sem contar a quantidade de piolhos que já
me acompanhavam. Foi embora e não demorou muito,
voltou para me buscar.
Ao chegarmos, fui bem recebida por sua esposa e dois filhos,
notei ali outra cachorra, bassê, a Mine, senti que
esta não gostou de minha visita e fiquei isolada
da amiguinha, puro ciúmes, não queria dividir
nada comigo. O Sr. me levou ao médico, pois pensou
que eu não fosse resistir, deitava-me na palma de
sua mão e goela abaixo ora vinha remédio,
ora leitinho quentinho igual ao da minha mãezinha.
Uma caixa de sapatos era minha casinha. Passando-se alguns
meses, vovozinha veio nos visitar, muito triste, mas ao
ver-me seus olhos brilharam. Vovó e outro filho tinham
vindo de mudança do litoral para a capital, pois
este estava muito doente. Logo que chegaram um de seus cachorros
que já não estava bem morreu; o outro doaram
por não poder cuidar. Seu filho se recuperou e ambos
voltaram para o litoral levando-me. Hoje estou grande e
todos nós muito felizes.
Roberto Alves de Castro
MINE e POTIRA
Animais,
Nós como vocês
Aqui juntos a caminhar
Galgamos sem cessar
A jornada é evolutiva
Somos companheiros na missão
Pai, perdoe nossas ingratidões
Ao tratarmos destes nossos irmãos
Rogai por todos nós e aumentai nossa compreensão
Roberto Alves de Castro
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