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A SILENCIOSA REVOLTA DOS BICHOS
Superpneumonia,
vaca louca e gripe das aves representam novos desafios
Por LEONARDO VALENTE
Doenças
de animais sempre atormentaram criadores, mas
não costumavam despertar o interesse dos consumidores.
Não mais. Uma série de novos males de origem
animal
agora afeta seres humanos, espalha-se pelo mundo
globalizado e traz o medo de epidemias.
Superpneumonia,
mal da vaca louca e a gripe das aves
preocupam produtores e consumidores. Os primeiros, às
voltas com formas de evitar perda de animais e
contaminação da carne. Os consumidores, em
busca de
segurança. Em comum, as três doenças
compartilham o
fato de serem causadas por agentes infecciosos que
venceram a barreira das espécies e passaram a atacar
o
homem.
Segundo
os especialistas, o risco de doenças
contraídas pelo contato _ caso da superpneumonia
e da
gripe _ ou o consumo da carne de animais doentes _ o
exemplo da vaca louca _ tem na globalização
do mercado
de alimentos seu principal aliado.
_
O fenômeno traz uma mudança drástica
na relação do
homem com sua alimentação. Essas doenças
se tornaram
potencialmente graves devido à globalização,
que pode
transformá-las em epidemias mundiais. Carne com mal
da
vaca louca pode sair da Europa direto para
restaurantes japoneses. Frangos asiáticos com gripe
podem chegar ao Brasil, por exemplo - explica Cícero
Pitombo, presidente da Associação Brasileira
de
Buiatria (ABB), que congrega pesquisadores de bovinos,
ovinos e caprinos.
Ele
diz que, apesar das particularidades de cada uma
dessas novas doenças, elas compartilham a gravidade.
O
mal da vaca louca é uma doença degenerativa
do
cérebro. No Brasil, precisamos evitar que o gado
tenha
alimentação com ração de origem
animal, pois essa é
uma das grandes causas do problema - explica.
Já
a gripe do frango e a superpneumonia, segundo a
pesquisadora da ABB Mareia Cunha Abreu, são
extremamente agressivas e com altos índices de
mortalidade, principalmente em idosos e crianças:
—
São doenças que se espalham rapidamente e
precisam
de medidas sanitárias e de saúde muito eficientes.
No
caso da gripe do frango, o grande problema é a
capacidade de mutação do vírus, o que
pode torná-lo
extremamente perigoso para o homem. Mas o perigo não
vem só das doenças transmitidas por mamíferos
e aves.
Quando o cardápio é carne a ameaça
pode vir do mar. Do
salmão, por exemplo. Considerado benéfico
para o
coração por ser rico em ômega 3, ele
pode, quando
criado em cativeiro, provocar câncer. É o que
diz um
estudo da Universidade de Indiana, nos EUA. O problema
estaria na alimentação e na forma de vida
do peixe em
cativeiro, que o faria produzir 14 toxinas
cancerígenas em quantidades mais altas que o salmão
selvagem.
—
0 consumo do salmão de cativeiro aumenta
consideravelmente as chance de uma pessoa desenvolver
diferentes, formas de câncer _ acredita Ronald Hites,
da Universidade de Indiana.
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As
três principais doenças associadas a animais:
MAL
DA VACA LOUCA
Causa:
Acredita-se que seja provocada por príons,
proteínas alteradas.
Origem:
Desconhecida. Não se sabe por que as proteínas
sofrem alterações e transformam-se em príons.
Transmissão:
Suspeita-se que o contágio possa ocorrer
por meio do consumo da carne de animais doentes.
Sintomas:
As chamadas encefalopatias espongiformes
causam buracos no cérebro, levando à perda
de controle
dos movimentos e demência.
Tratamento:
Não há. A doença é letal.
SUPERPNEUMONIA
Causa:
A síndrome respiratória aguda grave é
provocada
por uma nova variedade de coronavírus.
Origem:
Não se sabe como o vírus passou de animais,
possivelmente a civeta asiática, para seres humanos.
Transmissão:
Ainda pouco conhecida. Supostamente por
meio do contato com secreções respiratórias
de
doentes.
Tratamento:
Com antibióticos. A taxa de letalidade é
de cerca de 10%.
GRIPE
DAS AVES
Causa:
Novas variantes do vírus da gripe. A última
epidemia foi provocada pelo subtipo chamado H5N1.
Origem:
Não se sabe como o vírus passou de aves para
o
ser humano pela primeira vez.
Transmissão:
É menos contagiosa em seres humanos do
que a gripe comum. Mas há temor de que o vírus
possa
se tornar mais infeccioso.
Tratamento:
Não há tratamento especifico. A taxa de
letalidade, ao que parece, é muito mais elevada do
que
a da gripe comum.
Fonte:
O Globo - 09/07/2004 |