"Não creia que os animais sofrem menos do que os seres humanos. A dor é a mesma para eles e para nós. Talvez pior, pois eles não podem ajudar a si mesmos."
Dr. Louis J. Camuti

A captura e a eliminação de cães e gatos foi iniciada após a descoberta de Louis Pasteur de que a saliva contaminada com o vírus rábico era o veículo de transmissão da raiva. Em Londres e Paris, os animais começaram a ser eliminados indiscriminadamente por vários métodos, inclusive por meio de tiro ao alvo, autorizados pela Prefeitura. Em Nova York, os animais eram mortos por afogamento.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (WHO, 2005), mesmo para o controle da raiva, a captura e eliminação de animais se tornam contraproducentes, uma vez que animais já imunizados também são mortos, impedindo dessa maneira a manutenção de uma barreira natural de proteção. Países com a presença de raiva canina estão implantando Programas de Controle da Natalidade de animais de rua, fazendo a remoção para a realização da cirurgia de esterilização, vacinação contra a raiva e a devolução desses animais para os locais de recolhimento (WHO, 2005).

Programa de Controle Populacional de Cães e Gatos

É dever dos Municípios desenvolver programas para o controle de populações de cães e gatos.

Programas efetivos de controle de populações de cães e gatos devem contemplar atividades de censo ou estimativa de população animal; registro, identificação e concessão de licenças; controle da reprodução; educação e sensibilização; recolhimento seletivo; destino adequado; controle do comércio; legislação para a guarda, posse ou propriedade responsável de animais; controle do habitat ou controle ambiental (disposição de abrigo e alimento no meio ambiente).

AOs municípios que ainda não possuem atividade implantada e estrutura específica para tal, sugerimos que iniciem com a implantação de um projeto educativo, censo/estimativa de população animal (pode ser feito por agentes comunitários), controle ambiental e legislação pertinente.

Não possuir nenhuma atividade para o controle de populações animais e iniciar pelo recolhimento de animais soltos nas ruas e sua eliminação, além de ser contraproducente, não ajuda a construir uma cultura de responsabilidades para com os cães e gatos. Muitas prefeituras implantam essa atividade porque acham que terão um resultado mais rápido, mas é uma falsa impressão de se ter o problema resolvido. Seria apenas enxugar a água que pinga de uma goteira e não consertar o cano. Seria apenas tratar os sintomas de uma doença e não curá-la.

A prefeitura tem que ser o exemplo de respeito ao meio ambiente, e aos animais de estimação. O exemplo é a melhor forma de educar a comunidade. Se a prefeitura lida com desrespeito, tratando os animais como “coisas” o que estará ensinando para a população? Lidar com essa questão de maneira racional, técnica e ética é o primeiro passo a ser dado por cidades que tenham problemas de animais sem controle.

As Prefeituras que já possuem centro de controle de zoonoses (CCZ) e controle animal devem avaliar como está sendo realizado o manejo nas ruas. O recolhimento de animais nas ruas pode ser considerado um “cartão de visita” do CCZ, bem como a aparência do funcionário, seu uniforme, a maneira como lida com a comunidade e principalmente com os animais.

O Curso de Formação de Oficiais de Controle Animal (FOCA) está capacitando recursos humanos das Prefeituras para o manejo etológico com os animais e para cada agente ser um multiplicador, um educador para a comunidade sobre a guarda e posse responsável dos animais.

O censo ou estimativa da população animal é de fundamental importância para o planejamento, desenvolvimento e avaliação das atividades do programa.

O registro e identificação dos cães e gatos relacionam os proprietários aos seus animais. Quanto mais animais estiverem identificados na cidade, menos animais serão submetidos à eutanásia pois aumenta a devolução de animais perdidos aos seus proprietários. Maiores informações sobre o registro e identificação, acesse o Boletim Epidemiológico Paulista Número 18 no site: http://www.cve.saude.sp.gov.br/agencia/bepa37_apre.htm.

As cirurgias de esterilização são as indicadas para o controle da reprodução principalmente pelo fato de serem permanentes, inibirem o cio das fêmeas e diminuírem a circulação dos machos. Informações sobre o controle de reprodução acesse o Boletim Epidemiológico Paulista Número 19 no site: http://www.cve.saude.sp.gov.br/agencia/bepa37_apre.htm.

Recolhimento seletivo: Não temos mais que recolher todos os animais que estão soltos nas ruas. Devemos orientar a comunidade sobre isso e retirar apenas os animais que estão colocando em risco a comunidade ou os animais que estão eles próprios em situação de risco, como os doentes ou em sofrimento. Essa cultura está começando agora, levará um tempo para mudar, mas temos que começar agora. Informações sobre o recolhimento seletivo acesse o Boletim Epidemiológico Paulista Número 20 no site: http://www.cve.saude.sp.gov.br/agencia/bepa37_apre.htm.

O destino adequado dos animais recolhidos: sempre implantar e implementar programas de adoção pois é a única alternativa à eutanásia. O horário de atendimento deve ser bom para o público poder vir mais vezes no CCZ e não apenas adequado às necessidades do órgão público. Informações sobre a guarda, destino adequado e eutanásia, acesse o Boletim Epidemiológico Paulista Números 21 e 22 no site: http://www.cve.saude.sp.gov.br/agencia/bepa37_apre.htm.

A educação e conscientização para a propriedade, guarda, ou posse responsável devem sempre ser aplicadas junto com a sensibilização dos indivíduos para o respeito a todas as formas de vida (Para maiores informações sobre o registro e identificação, acesse o Boletim Epidemiológico Paulista Número 23 no site: http://www.cve.saude.sp.gov.br/agencia/bepa37_apre.htm).

Para o sucesso do programa é necessário envolver a comunidade, a mídia, sociedade civil organizada, médicos veterinários, órgãos públicos e demais setores ou atores envolvidos no processo. O Oficial de Controle Animal tem papel fundamental para a disseminação desses conceitos na comunidade, podendo ser um agente educador de referência positiva para a mesma, e para isso devem estar preparados.

Curso de Formação de Oficiais de Controle Animal – “FOCA”

[...]O Curso de Formação de Oficiais de Controle Animal surgiu no Brasil, mais precisamente no Estado de São Paulo, com o principal objetivo de capacitar recursos humanos de serviços de controle de zoonoses para o manejo etológico de cães e gatos e para serem multiplicadores dos conceitos sobre guarda e posse responsável dos animais de estimação.

Os quatro primeiros cursos foram realizados pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo com apoio das Prefeituras e dos Centros de Controle de Zoonoses de Guarulhos, Bauru e São Paulo, World Society for the Protection of Animals(WSPA), Instituto Técnico de Educação e Controle Animal (ITEC), Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo e Partners Microhcip, totalizando 220 participantes de 25 cidades .

[...]O Curso de Formação de Oficiais de Controle Animal é composto por aulas teóricas e práticas. Estas ultimas são desenvolvidas tanto dentro do Centro de Controle de Zoonoses como nas ruas, colocando-se em prática todo o aprendizado. Como parte da motivação dos participantes, todos ganham no final do curso um colete e um boné com o distintivo de Oficial de Controle Animal (OCA).

 

Adaptado do texto de Rita de Cassia Garcia, médica veterinária - Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

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