O que é
No Brasil, as faculdades de medicina, medicina veterinária, biologia,
psicologia, odontologia, ciências farmacêuticas, enfermagem,
dentre outras, possuem aulas práticas onde são utilizados
animais vivos - a chamada vivissecção – ou seja: animais
são encaminhados vivos para a sala de aula, onde são contidos
e anestesiados (nem sempre adequadamente) para em seguida, com a presença
do professor e alunos, serem utilizados em diversos experimentos de aprendizagem.
Após a prática são sacrificados.
Evolução
Na Europa e Estados Unidos, muitas faculdades de medicina não mais
utilizam animais, nem mesmo nas matérias práticas como técnica
cirúrgica e cirurgia, oferecendo substitutivos em todos os setores.
Nos EUA, mais de 100 escolas de medicina (quase 70%) incluindo Harvard, não
utilizam animais.
Na
Inglaterra e Alemanha, a utilização de animais
na educação médica foi abolida. Sendo
que na Grã-Bretanha (Inglaterra, País de Gales, Escócia
e Irlanda) é contra a lei estudantes de medicina praticarem cirurgia
em animais. Note-se que os médicos britânicos são comprovadamente
tão competentes quanto quaisquer outros.
Na Itália, entre 2000 e 2001 mais de um terço das universidades
abandonaram a utilização de animais para fins didáticos.
No
Brasil, a Faculdade de Medicina Veterinária da USP desde
2000 não utiliza animais vivos em aulas de técnica
cirúrgica. Utiliza cadáveres especialmente preparados,
de animais que tiveram morte natural em clínicas e hospitais
veterinários. A preparação é feita
a partir de substâncias que preservam a consistência
do tecido como a de animal vivo.
Os alunos praticam cirurgias de castração em cães e
gatos levados pelos proprietários que desejam esterilizar seus animais.
Materiais
Alternativos e a Manutenção da Qualidade do
Ensino
Hoje, já há milhares de recursos que substituem o uso didático
de animais nas salas de aula.
Nas
matérias básicas que necessitam de observação,
abstração e raciocínio, como a fisiologia,
a farmacologia e a toxicologia, há substitutivos para
todos os temas, não sendo necessária a utilização
de animais. Ex. Simulação computadorizada e realidade
virtual.
Nos procedimentos ortopédicos e outros que envolvem habilidades manipulativas
ou psicomotoras há também alternativas. Ex. venopunção
e cateterização.
Técnicas
cirúrgicas
Nas cirurgias, os alunos aprendem em cadáveres sua primeira intervenção,
abordagem e técnica. Depois disso, podem aplicar as técnicas
em animais vivos, que irão sobreviver à cirurgia e ter um pós-operatório.
Há estudos
que demonstram a mesma competência e habilidade tanto
nos estudantes que aprenderam utilizando os métodos
tradicionais como nos que aprenderam utilizando os métodos
alternativos.
Há casos que demonstram melhor memorização com métodos
alternativos, pois a atenção do aluno fica livre para o aprendizado
e não é prejudicada pelo stress de estar provocando sofrimento
a um animal.
Mais informações:
www.internichebrasil.org - www.navs.org
Legislação
Brasileira e Objeção de Consciência
Mais e mais estudantes, em todo o mundo, estão alegando “objeção
de consciência” e muitos deles já se formam sem utilizar
a vivissecção
No Brasil, também já existem estudantes que se recusam a praticar
a vivissecção alegando objeção de consciência,
protegidos pela Constituição Federal do Brasil, na parte dos
Direitos e Garantias Fundamentais
que no Capítulo I artigo 5º diz: Todos são iguais
perante a lei, sem distinção de qualquer natureza garantindo
aos brasileiros e estrangeiros residentes no País a inviolabilidade
do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança,
e à propriedade, nos termos seguintes: VIII – ninguém
será privado de direitos por motivos de crença religiosa ou
de convicção filosófica ou política, salvo se
as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta
e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei.
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A
lei 6.638, de 8 de maio de 1979 estabelece normas para
a prática didático-científica da
vivissecção de animais, e é complementada
pela lei 9.605, de 12 de fevereiro de 1998 – dos
crimes contra o meio ambiente – cujo 1º parágrafo
do artigo 32 diz: Incorre nas mesmas penas (detenção
de 3 meses a um ano, e multa)
quem realiza experiências
dolorosas ou cruéis em animais vivos, ainda que
para fins didáticos ou científicos, quando
existirem recursos alternativos.
Objeção de Consciência
A objeção de consciência é um fenômeno típico
do século XX e XXI, apesar de encontrarmos acontecimentos que lembrem
essa figura desde a Antigüidade.
A primeira vez que apareceu essa figura de direito em texto escrito foi o
Decreto de 1793 durante a Revolução Francesa, onde religiosos
eram dispensados do serviço militar, pois se recusavam a matar outros
seres. Atualmente no Brasil acontece o mesmo.
A
objeção de consciência não deve
ser confundida com o direito de resistência ou a desobediência
civil.
Diferencia-se da resistência por ter recurso à autoridade, isto é,
pode recorrer à autoridade; por não atender a ordem injusta
quando for utilizado meio de coação e não poder ser
invocada por todos, por basear-se em crenças subjetivas e individuais
independente de adesões. Uma pessoa pode sozinha fazer a objeção
de consciência.
Diferencia-se da desobediência civil por não ir contra a ordem
estabelecida, possuindo normalmente previsão normativa, por fundamentar-se
em motivos pessoais e por não visar o encorajamento de outros para
essa atitude.
A objeção de consciência serve também como indicador
do grau de consciência social em um Estado e de liberdade dos cidadãos
desse mesmo Estado, bem como da intensidade da intervenção
do Estado na esfera particular dos cidadãos. É oportunidade
da prática da democracia.
Projeto
Educação Livre de Violência
O Instituto Nina Rosa coordena o Projeto Educação Livre de
Violência com o objetivo de liberar da violência tanto o aluno
como o animal, através da conscientização e apoio ao
meio acadêmico sobre os métodos alternativos na educação
e sobre o direito à objeção de consciência.
Indicação
de livros sobre as alternativas:
“ Alternativas ao Uso de Animais Vivos na Educação – pela
ciência responsável”, Sérgio Greif – em português
“From Guinea Pig to Computer Mouse”, Nick Jukes e Mihnea Chiuia – InterNICHE
- em inglês
Para
adquirir livros (em inglês) e vídeos
sobre métodos alternativos: www.internichebrasil.org
Para catálogo com fotos de materiais alternativos: www.labordidatica.com.br, www.institutodopvc.org
Materiais
disponíveis no Instituto Nina Rosa:
Livro “Alternativas ao Uso
de Animais Vivos na Educação – pela
ciência responsável”, Sergio
Greif –
em português.
Para adquirir esse material, saber mais ou para se pronunciar,
utilize nosso e-mail: inr@institutoninarosa.org.br
PABX: (11) 3868-4434.
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