Pesca

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Lixo Marinho – uma ameaça global crescente

Quantidades cada vez maiores de lixo estão chegando aos oceanos do mundo e prejudicando a saúde dos ecossistemas, matando animais quando eles ficam presos ou ingerem o lixo. A saúde humana também está em risco, pois os plásticos podem se fragmentar em pedaços menores que, por sua vez, podem acabar em nossos alimentos. Esses são apenas alguns dos problemas que estão emergindo da coleta de resíduos em nossos mares.

© Global Garbage Brasil

© Global Garbage Brasil

European Environment Agency (EEA)
Publicado em 07 de agosto de 2013
Traduzido por Mariana Coutinho Hennemann, Global Garbage Brasil

Há, atualmente, grandes manchas de lixo e partículas plásticas menores acumuladas por correntes oceânicas em todos os oceanos. A mancha no Pacífico é do tamanho da Europa, de acordo com algumas estimativas, e há também uma mancha menor, porém significativa, próxima à Europa, no Atlântico. O lixo marinho também se acumula em áreas costeiras, tanto no fundo do mar, quanto em praias, quando carreado pelas ondas. Veja o infográfico sobre lixo marinho da EEA (European Environment Agency – Agência Ambiental Europeia).

Os líderes mundiais reconhecem cada vez mais a escala do problema, e na Cúpula Mundial do Rio em 2012, eles se comprometeram a “reduzir significativamente o lixo marinho até 2025”. A European Marine Strategy Framework Directive (Diretiva-quadro “Estratégia Marinha” Europeia), que tem como objetivo alcançar um “bom estado ambiental” para os mares até 2020, reconhece o lixo marinho como uma das principais ameaças ao ambiente marinho, juntamente com a pesca, poluição, espécies invasoras alienígenas e ruídos.

European Environment Agency (EEA) irá considerar o lixo marinho em sua próxima avaliação do estado do ambiente marinho, a ser publicada no terceiro trimestre de 2014.

Envenenamento e “pesca fantasma”

Peixes, aves e outras criaturas marinhas também ingerem fragmentos de lixo, que podem eventualmente matá-los – globalmente, pelo menos 43% das espécies de cetáceos, todas as espécies de tartarugas marinhas, aproximadamente 36% das espécies de aves marinhas e muitas espécies de peixes foram reportadas como tendo ingerido lixo marinho. Os animais também podem ficar presos em redes descartadas ou outros lixos. Por volta de 10% de todo o lixo nos oceanos do mundo são petrechos de pesca descartados, que continuam a capturar peixes – um fenômeno conhecido como “pesca fantasma”.

A maior parte do lixo no mar é plástico, por exemplo, sacolas plásticas, garrafas, tampas de garrafas e isopor, principalmente como resultado de nossos hábitos de consumo atuais, onde as embalagens plásticas têm aumentado drasticamente. Parte do problema surge do fato de que esses materiais nunca biodegradam, sendo apenas parcialmente degradados pela luz solar. Juntamente com o movimento das ondas, isso quebra o plástico em pedaços cada vez menores.

Um problema emergente é causado por esses “microplásticos”, que podem acumular químicos prejudiciais, tais como poluentes orgânicos persistentes (POPs), do mar. Quando eles estão concentrados em um fragmento minúsculo de plástico, engoli-lo pode ser mortal para alguns organismos marinhos. Essas pequenas partículas de plástico também se tornam parte das praias. Por exemplo, alguns estudos têm encontrado muitos tipos de plástico rotineiramente nos sedimentos da costa britânica.

E não é apenas a vida selvagem que é afetada pelo lixo marinho. Ele pode eventualmente entrar na cadeia alimentar humana, quando os microplásticos são ingeridos por peixes ou moluscos, que podem posteriormente ser comidos por pessoas. Pesquisadores estão atualmente investigando esse potencial risco à saúde emergente.

Há também custos econômicos desse tipo de poluição, de limpeza de praias a petrechos de pesca danificados, de redução no turismo a hélices de embarcações obstruídas. Tais custos estão prestes a crescer, à medida que as concentrações de lixo continuam a aumentar em algumas áreas.

A gestão de resíduos ruim e o descarte inapropriado de lixo em terra são duas das principais causas do problema, à medida que resíduos são descarregados no mar via rios e sistema de esgoto, ou carreados para o mar pelo vento ou pela chuva. Resíduos de navios mercantes, cruzeiros e embarcações de pesca também frequentemente acabam no oceano.

Um mar mais limpo

Devido a uma grande parte do lixo marinho ser resíduos de consumidores, educar as pessoas acerca dos seus efeitos poderia reduzir significativamente os resíduos que entram no mar, de acordo com diversos estudos. As lojas também poderiam assumir alguma responsabilidade, por exemplo, facilitando a devolução de garrafas ou eliminando sacolas plásticas de uso único. A indústria de gestão de resíduos também tem seu papel em coletar e processar de forma mais eficaz o lixo que, de outro modo, acabaria no mar.

No próximo ano, a EEA irá lançar o “Marine LitterWatch” (Vigilância do Lixo Marinho), um novo aplicativo para telefones celulares para grupos conservacionistas e outros “cidadãos cientistas”, para acessarem e reportarem a quantidade de lixo que encontram em praias. Essa informação auxiliará a EEA a compreender esse problema crescente e irá também fornecer dados para dar melhor suporte a implementação de políticas.

O lixo não é o único problema que afeta as praias europeias. Esgotos não tratados e excrementos animais de fazendas também atingem o mar, o que pode ser um risco à saúde humana. Para avaliar esse problema, a EEA compara dados dos níveis bacterianos de mais de 22.000 praias ao longo da Europa. Em 2012, a qualidade da água para banho estava, em geral, muito boa, com aproximadamente 94% dentro dos padrões mínimos. Você pode descobrir mais sobre a qualidade da água em sua praia local dando um zoom neste mapa.