Tráfico

“Se o homem não for capaz de honrar o contrato com os animais, ele poderá seguir o mesmo caminho do dinossauro, tornando-se um fóssil numa era futura…”
Desmond Morris

________________________________________________________________________________________________________________

São quatorze anos lidando com animais silvestres. Comecei dedicando uma ou duas horas semanais ao assunto, hoje são seguramente de doze a vinte horas diárias; acredito que já conheça um pouco sobre o tema.

Conheci gente, muita gente. Gente que fica, gente que passa, gente que foge, gente que nem se aproxima… conheci gente que me disse que “lugar de árvore é no mato e não na cidade”… conheci gente que não precisaria de forma alguma se envolver em uma ONG como a SOS Fauna, mas teve GARRA, DETERMINAÇÃO, CORAGEM e outros adjetivos semelhantes – o mais importante deles: CONSCIÊNCIA ECOLÓGICA!

Quando iniciei este trabalho imaginei que tudo fosse florido, que as coisas funcionassem como manda a Lei, ahhh, a Lei, esta também é falha.

Tinha medo até da própria sombra, aprendi a dominar este sentimento, não foi fácil, mas aprendi a dominar.

Sabem, o último Natal, foi o menos farto materialmenteque me lembro ter tido em toda
a minha vida. Em contrapartida, houve um enriquecimento espiritual imenso, arrumei amigos, cumpri tarefas e alcancei objetivos, isto é mais que fartura, e além disso, tenho uma família maravilhosa, que entende tudo isso, tenho amigos maravilhosos também, que ajudaram a alcançar estes objetivos.

Um grande abraço a todos!
Marcelo

O Tráfico de animais silvestres no Brasil

Poucos sabem e menos pessoas ainda se interessam em saber, em conhecer a respeito
deste triste e lamentável problema que, nos dias de hoje, de forma muito acelerada, vem dizimando nossa biodiversidade.

A realidade sobre o tráfico de animais silvestres – que opera dentro do território brasileiro – infelizmente é desconhecida pela maior parte da população. A mídia – que teria papel importante no sentido de divulgar amplamente a verdade do que ocorre – em muitas ocasiões, distorce a realidade, “vendendo o mesmo peixe que comprou”, sem se preocupar muito em divulgar informações verdadeiras sobre o assunto em questão.

Todas as semanas, MILHARES DE ANIMAIS SILVESTRES chegam em São Paulo e Rio de Janeiro, além de outras capitais que também são grandes pólos consumidores de fauna seqüestrada de nossas florestas. Infelizmente não podemos mais dizer que este ou aquele estado é que sofre maior seqüestro de fauna, pois para os traficantes de animais, basta que haja animais na natureza – não importa onde e nem a distância que tenham que percorrer com estes animais – o que manda é o lucro fácil.

Feiras do rolo

Somente em São Paulo e na Grande São Paulo – área de trabalho da SOS FAUNA até o momento – operam mais de VINTE FEIRAS DO ROLO todos os finais de semana. Em algumas destas chegam a ser comercializados mais de MIL animais (em sua grande maioria aves), ao ar livre, para quem desejar ver a “mercadoria” e posteriormente comprar.

Como se não bastassem as feiras, ainda existem os depósitos clandestinos de vida silvestre, estes geralmente estão instalados em residências alugadas, próximas à moradia do traficante;
agem desta forma para tentar evitar um possível flagrante.

Primeiros socorros

Mais triste ainda é o que ocorre com estes animais depois de apreendidos pelos órgãos competentes, (quando isso ocorre). Os primeiros socorros a estes animais são precários.
Inúmeras vezes aves ficam em delegacias de policia aguardando o desdobramento dos procedimentos legais. Faltam alimentos, medicamentos, cuidados especiais, higiene, conhecimento, enfim, FALTA TUDO!!! Faltam principalmente locais que recebam estes animais, onde saibam cuidar dos mesmos e que acima de tudo operem 24 horas
por dia. Quem paga esta conta, sem dúvida são os animais que ali aguardam serem socorridos; o preço é alto… sua VIDA!

Óbitos

Desde o dia em que a SOS FAUNA iniciou procedimentos de primeiros socorros nas apreensões que participa, as taxas de óbito têm sido baixíssimas, prova que isso deve ser feito, ou seja, já deveria estar sendo feito há muitos anos.

Não concordamos com as notícias veiculadas pela mídia e por algumas ONGs que: para cada DEZ animais capturados na natureza, apenas um sobrevive. DEFINITIVAMENTE ISSO NÃO EXISTE. Para o traficante de animais, estes representam moeda, e moeda não pode ser perdida.

Reintrodução

Um fato triste, é que a grande maioria dos animais apreendidos JAMAIS RETORNA à sua região de origem. Nossos governos ainda não evoluíram o suficiente para compreender a importância deste trabalho.

TRÁFICO DE ANIMAIS SILVESTRES
Por Márcio Bontempo, médico, autor do livro “Alimentação para um Novo Mundo”.

Comércio

O resultado da ação do homem no mundo animal está pondo em risco a vida no planeta com a redução da biodiversidade. São centenas de espécies já extintas e outras ameaçadas de extinção – não somente pelo consumo da carne de animais silvestres, mas pelo hábito de querer tê-los como animais de estimação. Por isso, no Brasil, araras, papagaios, borboletas, jabutis, macacos, passarinhos, aranhas, escorpiões, cobras e tantas outras espécies da fauna silvestre brasileira vêm sendo vítimas de um comércio ilegal que movimenta cerca de 2 bilhões de dólares por ano – aqui e lá fora. O tráfico de animais é a terceira atividade ilícita mais lucrativa, depois do tráfico de drogas e armas.

Anualmente cerca de 12 milhões de animais são ilegalmente retirados das matas brasileiras e vendidos em diversas cidades do país. Nesse tipo de atividade, a perversidade em relação aos bichos é por vezes extrema, conforme pudemos constatar.

Captura

Os traficantes de animais silvestres, além de caçarem, pagam crianças para capturarem borboletas e passarinhos, que depois são transportados em condições absurdamente desumanas, muitas vezes sob o efeito de anestésicos e drogas que os mantêm quietos. Cada animal retirado da natureza enfrenta crises de depressão geradas por solidão, o que os faz perder a própria identidade.

Para garantir a “beleza” do artesanato feito com asas de borboletas, os machos são mergulhados, ainda vivos, em um tipo de solvente de tinta, que elimina os parasitas. Alguns criadouros atuam como pontos de “lavagem” de animais contrabandeados.

Apesar da lei

Para capturar um filhote de macaco os traficantes não hesitam em matar a mãe. Eles têm pressas arrancadas e são dopados para parecer mansos. Apesar da portaria 117/97-N, de 15.10.1997, em que o Ibama legaliza a venda de animais silvestres apenas para criadouros credenciados, o tráfico ilegal continua.

As autoridades ambientalistas consideram o “comércio ilegal de animais” uma forma de tráfico. Ao nosso ver, contudo, qualquer negócio que envolva seres vivos deve ser ilegal. Ao admitir a hipótese de um “comércio legal”, estamos contribuindo, de um modo ou de outro, com o consumo de carne, com o aprisionamento de animais, e conseqüentemente, com a degradação ambiental.

Carne animal

Atualmente, diante das inúmeras evidências e estatísticas, determinando que o consumo de carne é um ato antiecológico, seja de animais criados para o abate, ou capturados nas selvas, deve-se evitar incluir carne animal – qualquer que ela seja – na nossa dieta.

Não basta afirmar como fazem as autoridades ambientais brasileiras, que, depois do desmatamento, a maior ameaça a fauna é o seu comércio ilegal. Tanto o Ibama quanto os demais órgãos afins, além dos ecologistas, devem saber que a captura animal com fins comerciais é apenas uma parte do problema. Os seres humanos continuam consumindo carne animal silvestre e esta é a atividade que mais devasta as florestas.

Sim, os homens comem animais silvestres e muitos outros. Basta conhecer um pouco seus curiosos hábitos alimentares para se ter uma idéia dos vários tipos de carnes e de seres que os humanos são capazes de consumir. O estudo serve também para confirmarmos o desrespeito, a insensibilidade e o pouco caso com que são tratados os animais, nossos irmãos.

Fontes:

Carta de Marcelo Pavlenco, Presidente da S.O.S Fauna, Órgão de Defesa da Fauna e Flora Brasileira.

Fonte:- adaptado de “Alimentação para um Novo Mundo”, Márcio Bontempo